segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Liberdade ou superioridade?

Recentemente vi um post no Facebook, onde o autor questionava a ideia das lutas alheias e as posturas dos militantes de uma certa classe; não vou precisar dizer que classe é essa, pois, creio eu que falarei de um modo geral e não apenas direcionado à um público.
(preciso assumir que estou com dor nos ombros de tanta tensão ao escrever esse texto, são exatamente esses "militantes" que verão este texto como algo ruim e eu odeio confusão e gritaria - SQN).
Conversando recentemente com algumas pessoas na faculdade, no antigo trabalho, e até mesmo no Facebook; pude perceber que não sou o único do meio que tem a mesma visão do que uma certa parcela dos movimentos deixam transparecer.
Com o passar dos anos os públicos foram se renovando e as conquistas foram acontecendo - mesmo que aos poucos - de acordo com as lutas de cada classe e isso já é de conhecimento público. Recentemente se têm notado que há uma certa parcela dentro desses movimentos que acabaram por confundir o verdadeiro objetivo deste e por esta confusão, o desfecho acabou sendo a precarização na "fama" desses movimentos que antes eram até respeitados e hoje acabaram perdendo - um pouco que seja - a "moral" dentro da sociedade em que a mesma está inserida, e como consequência, perdemos espaço.
Mas o que tenho me questionado sobre isso tudo é o seguinte pensamento: se Paulo Freire nos disse que se a educação que recebemos não for libertadora, o sonho de nós oprimidos, seria nos tornarmos opressores. E vejo que é realmente isso o que está acontecendo com essas parcelas; o tempo inteiro as pessoas estão convertendo essa luta de liberdade e igualdade, por objetivos de superioridade aos demais.
Entendo perfeitamente que se sentir superior é gostoso, é bom, infla nosso ego e nos deixa com o peito cheio de autoconfiança de quem somos; mas ter ciência que a superioridade vem com a forma de como se luta é fundamental. Oprimir o opressor, é dizer a ele que queremos ser iguais a ele, ou seja, queremos oprimir também, queremos ser opressores. E se por momentos pensamos desta forma, nossa luta não está sendo libertadora nem para nós mesmos que estamos nela.
Faltam em nosso meio, estratégias inteligentes que atinjam nossos opressores a nosso favor, que não sejam estratégias de humilhação e opressão.
Faltam pessoas mais envolvidas com a luta e com o VERDADEIRO objetivo.

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